Endividamento atinge cerca de 65 mil agricultores no Rio Grande do Sul; parte significativa das dívidas está fora do alcance das propostas atuais de renegociação.
Os produtores rurais do Rio Grande do Sul acumulam R$ 27,4 bilhões em dívidas junto às principais instituições financeiras que operam crédito rural, além de compromissos assumidos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs). O levantamento, divulgado pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul), indica que aproximadamente 65 mil agricultores estão endividados.
Do total apurado, R$ 18,4 bilhões correspondem a valores que se enquadram nos limites previstos pela proposta de renegociação apresentada pelo governo federal, que estipula tetos entre R$ 250 mil e R$ 3 milhões. Outros R$ 8,9 bilhões, porém, ultrapassam esses limites e não estão contemplados pelo programa.
A situação foi levada ao governo durante reunião online com a presença de parlamentares e representantes do Ministério da Fazenda. O presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, defendeu a ampliação do alcance das medidas, de forma a atender não apenas os produtores dentro dos limites estabelecidos, mas também aqueles com dívidas maiores, além de agricultores ligados a cerealistas, distribuidoras e revendas.
Segundo Pereira, a urgência é ainda maior devido à proximidade da safra 2025/2026, que deve começar em poucas semanas. Ele alertou que muitos produtores estão descapitalizados e podem enfrentar sérias dificuldades para iniciar o novo ciclo produtivo sem apoio efetivo: “Daqui a um mês colocaremos as máquinas no campo e o produtor está sem recursos. Precisamos de velocidade para garantir uma solução”.
A sequência de estiagens enfrentada pelo estado desde 2020 contribuiu para o acúmulo das dívidas e para a atual crise de liquidez no setor agrícola. A expectativa agora é que o governo federal anuncie medidas adicionais capazes de mitigar os impactos e evitar maiores prejuízos ao agronegócio gaúcho.







