Dados alfandegários mostram mudança de rota nas aquisições chinesas em meio a tensões comerciais e tarifas; Argentina também ganha espaço.
A China não importou soja dos Estados Unidos em setembro de 2025, fato inédito desde novembro de 2018. O vácuo foi preenchido por origens sul-americanas: as compras do Brasil saltaram 29,9% na comparação anual e atingiram 10,96 milhões de toneladas, enquanto a Argentina forneceu 1,17 milhão de toneladas no mês. O movimento reflete as tarifas aplicadas aos produtos americanos e a escalada das tensões comerciais entre Pequim e Washington.
No agregado, as importações totais de soja pela China chegaram a 12,87 milhões de toneladas em setembro, uma das maiores marcas mensais já registradas, impulsionadas justamente pela oferta sul-americana. Apesar do “zero” no mês, o acumulado do ano ainda mantém alta nas entradas de soja dos EUA por contratos fechados no primeiro semestre.
Para o Brasil, o balanço parcial de 2025 confirma protagonismo: de janeiro a setembro, a China importou 63,7 milhões de toneladas do país, 2,4% acima de 2024. A leitura no mercado é que o apetite chinês deve seguir direcionado à América do Sul até que haja avanço nas negociações comerciais entre EUA e China.
No campo diplomático, a Casa Branca sinalizou que pode rever parte das tarifas sobre produtos chineses se houver contrapartidas — como retomada das compras de soja “nos volumes de antes” e medidas contra o fentanil. Mesmo com o aceno, analistas lembram que incertezas persistem e que o reequilíbrio do fluxo dependerá de decisões políticas nas próximas semanas.







