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Ano do Boi começa com arroba recorde no Brasil; veja perspectivas

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10/02/2021
Redação

Veja o que analistas de mercado preveem para a pecuária brasileira no próximo ano, levando em conta a demanda da China por carne bovina

Misticismo à parte, tanto a China quanto o boi muito interessam ao produtor rural brasileiro. Nos últimos anos, após surtos de peste suína africana dizimarem o rebanho de suínos do país asiático, as remessas brasileiras de carne bovina para lá cresceram bastante.

A alta demanda externa por proteína foi um dos fatores que levaram a arroba do boi gordo a patamares recordes. Enquanto o preço estava em R$ 187 no dia 25 de janeiro de 2020, quando começou o Ano do Rato, chegou nesta semana a R$ 302,20. Ou seja, o Ano do Boi começa com cotações 61,6% mais altas, segundo o indicador Cepea.

Projeções para o Ano do Boi 

Como mencionado, as exportações de carne bovina para a China foram determinantes para o avanço da arroba no Brasil. No ano passado, os embarques atingiram o recorde de 2,016 milhões de toneladas, alta de 8% em relação com as 1,875 milhão de toneladas verificadas em 2019. Já a receita aumentou 11%, passando de US$ 7,6 bilhões para US$ 8,4 bilhões.

O país asiático comprou 1,182 milhão de toneladas do produto no ano, o que corresponde a 58,6% do volume total vendido ao exterior. Com isso, a China gerou receita de US$ 5,1 bilhões para exportadores brasileiros, isto é, 60,7% do faturamento total.

Porém, aos poucos, os chineses estão recuperando o rebanho suíno, o que deve diminuir a dependência das importações. De acordo com o Ministério da Agricultura do país, em novembro, o plantel já estava quase 30% maior do que no mesmo período de 2019.

Do último mês de 2020 para cá, os embarques da proteína bovina brasileira vêm recuando. Em dezembro, o volume embarcado ficou em 168,156 mil toneladas, cerca de 3% menor que as 173,991 mil toneladas vendidas ao exterior em dezembro do ano anterior. Além disso, a receita com as exportações caiu 12%, para US$ 741 milhões, ante US$ 837 milhões no mesmo período de 2019.

As exportações totais de carne bovina apresentaram queda de 6% no volume e de 11% na receita janeiro, na comparação com o mesmo período de 2020. No total, foram movimentadas 127.139 toneladas ,que proporcionaram uma receita de US$ 549 milhões. Em janeiro de 2020, a movimentação foi de 135.375 toneladas e a receita de US$ 618 milhões.

Porém, as quedas não têm a ver necessariamente com o gigante asiático. Em janeiro, China e Hong Kong aumentaram suas aquisições, importando 79.896 toneladas (62,8% do total exportado) contra 76.965 em janeiro de 2020.

Apesar disso, no mês passado, houve uma redução significativa de sua movimentação em relação aos últimos meses do ano, quando os chineses compraram 109 mil toneladas em outubro, 123 mil toneladas em novembro e 101 mil toneladas em dezembro, elevando seus estoques para as comemorações do Ano do Boi.

Segundo o analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, o grande questionamento mundial é sobre qual a capacidade de recuperação da produção de carne suína na China.

Nas últimas semanas, a notícia de uma nova variante de peste suína africana, que reduz a taxa de natalidade, deixou o mercado em alerta, segundo ele. “Se o país começar a passar por novos surtos, talvez atrase essa retomada, que tem sido mais rápida do que o previsto pelo mercado”, diz.

Caso a doença não atrapalhe, o rebanho chinês deve atingir grandes números entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2021. Com isso, a tendência é que as importações diminuam gradualmente. “Saberemos qual a ‘cara da China’ lá para março”, ressalta Iglesias.

Segundo o analista da Safras, não há mercado consumidor suficiente para substituir a demanda chinesa. Assim, caso o país asiático diminua drasticamente suas compras, vai sobrar carne nos primeiros players mundiais, como Brasil, Estados Unidos e Austrália.

Enquanto isso, a demanda interna patina um pouco por conta da pandemia da Covid-19 e a crise econômica que veio com ela. Iglesias afirma que a carne bovina está em um patamar muito alto, que causa estresse no consumo e deve levar o brasileiro a migrar para proteínas mais baratas, como o frango e o ovo.

O que mantém o preço do boi gordo bastante elevado é a baixa disponibilidade de animais, que segue muito restrita, com preços no mercado de reposição em tetos históricos.

Diante disso, a arroba do boi gordo não tem conseguido superar R$ 310, nem descer abaixo de R$ 300.

Do ponto de vista da oferta…

Desde 2019, com preços mais atrativos para o bezerro, o pecuarista voltou a investir na cria. Para isso, ele aumentou a retenção de fêmeas, movimento que se intensificou bastante no ano passado. Segundo a Scot Consultoria, comparando o ano passado com o anterior, a redução no abate de fêmeas foi de 18,2%.

No curto prazo, esse movimento causou uma elevação na carne bovina, pois são duas categorias – vacas e novilhas – a menos para abate, o que diminui a matéria-prima para proteína.

No entanto, com o tempo, é esperado que haja mais oferta de bezerros, o que ajudaria a equilibrar futuramente a oferta de gado. Porém, a criação de animais não se dá do dia para a noite. O analista de mercado Rodrigo Queiroz acredita a disponibilidade de animais terminados não deve ter um incremento expressivo.

“Será uma oferta um pouquinho maior, mas nada que impacte e afrouxe a cotação em 2021, tanto para animais de reposição quanto para animais terminados”, finaliza.

Canal Rural

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