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Entrevista: Cristina Paré, a “Cristina da Vacina”

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12/03/2021
Redação

Aproveitando esse contexto de Pandemia x Vacina, tivemos o prazer de entrevistar uma das mulheres que fizeram parte da história da Vacina de Maracaju, a Cristina Paré, mais conhecida como “Cristina da Vacina”.

1 – Fale um pouco sobre você, quem é a Cristina?

Meu nome é Cristina, tenho 49 anos, sou casada, tenho 3 filhas e uma neta. Sou técnica de enfermagem, trabalhei 17 anos com a imunização do município e antes disso trabalhei como vendedora de loja, atendente, vendedora de bolos e salgados para a minha mãe e vários outros bicos para conseguir sustento.

Fui mãe muito cedo, aos 18 anos e como era difícil naquela época já não consegui terminar meu ensino médio. Minha família é de grandes mulheres trabalhadoras e eu sempre me inspirei nisso, desde ajudar minha mãe com uma lanchonete no centro da cidade, depois montamos em casa, e passado um tempo começamos a vender bolos, salgados e até marmitex.

2 – Como a Cristina da Vacina nasceu?
Em 1999 o Prefeito da época, Reinaldo Azambuja era meu patrão em uma loja na cidade e havia me prometido um trabalho na prefeitura, eu só não imaginava que seria na saúde e se fosse, imaginava na recepção, pois eu não tinha nem ensino médio. No dia em que ele me contratou, fui enviada direto para o posto de saúde, na sala de vacina. Lá eu ajudava uma senhora enfermeira, com preenchimento de fichas e atendimentos com documentos. Foi aí que comecei a me apaixonar pela área da imunização.
Me matriculei no EJA e logo me formei para tentar um curso técnico em enfermagem. Era um sonho se tornando realidade, pois eu jamais me imaginei com uma profissão, um diploma, pensava que eu já havia passado da idade de estudar. Quando consegui concluir o curso de técnica em enfermagem comecei a me especializar na área da vacina, não perdia um curso sequer no estado. Cada conquista era motivo de orgulho e muita felicidade.

 

3- Como foram os 17 anos de vacina? Quais foram os principais desafios que enfrentou?

No começo foi muito difícil, pois a senhora que trabalhava comigo centralizava tudo, não gostava de ajuda e nem de opinião. Aos poucos fui me aproximando dela e no fim nos tornamos grandes amigas, ela foi uma das portas para o meu conhecimento na área, tenho imensa gratidão.
Os maiores desafios era lidar com a minha confiança, como disse, não sabia que poderia chegar tão longe. Ser uma profissional de respeito.
Adquiri o hábito de estudar, conversar mais com as pessoas, falar sobre assuntos relacionados à saúde e dominar aquela área. Fiz muitos amigos que carrego até hoje. Muitas pessoas só confiavam a vacina de seus filhos a mim. Me ligavam para saber se eu estaria no posto e isso é assim até hoje, mesmo que não trabalho mais, há pessoas que me procuram para fazer vacina.

É área de muita responsabilidade, todos os dias éramos colocados a prova, pois lidávamos com a imunização das pessoas. Eu tinha um ritual de chegar e conferir tudo, separar vacinas, conferir temperatura etc. tinha medo de ter qualquer coisa errada, me sentia com muita responsabilidade.

Com o tempo de experiência comecei a ser convidada para ministrar cursos de vacina, para iniciantes na área. Foi gratificante demais. Tive alunos que estão até hoje trabalhando com vacina.

4- Depois que saiu da Vacinação do Município, atuou em outra área da saúde?

Passei 1 ano parada e logo fui convidada por um grande amigo, médico, para o auxiliar em uma clínica privada onde trabalhamos juntos por 3 anos. Auxiliei nos atendimentos, agenda do Dr e com vacinas também.

Depois decidi sair da clínica e voltar a ser dona de casa e principalmente avó. Cuidar da minha neta foi o maior presente.

 

5- Qual a mensagem que você deixa para as mulheres que querem ter uma profissão e ainda encontram dificuldades?

A primeira coisa é: Persistir.

A segunda é: não desistir.

Eu procurei escola, terminei o ensino médio, busquei um curso profissionalizante e me tornei uma profissional qualificada na área, coisa que eu não imaginava poder conseguir.

Minhas filhas eram pequenas, mas não me deram trabalho, contei com a ajuda do meu marido, mãe e irmãos. Não foi fácil, mas cada dia acordando cedo e dormindo muito tarde valeu a pena. Hoje eu tenho essa história de vida para contar a vocês e a minha neta.

Toda mulher merece ser respeitada, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho. E nós só conseguimos isso nos impondo e correndo atrás dos nossos sonhos.

Meu pai faleceu no dia do meu aniversário, quando completei 22 anos, mas sei que nesses anos todos ele sempre esteve comigo.

 Por Thaise Dias

 

 

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