Economia

EUA suspendem tarifa de 40% e liberam café, carne e frutas brasileiras

Redação
22 novembro – 2025 | 1:01

Decisão de Trump, após negociação com Lula, derruba sobretaxa sobre mais de 200 produtos do agro; alívio vale para cargas que chegam aos EUA desde 13 de novembro, mas indústria brasileira segue sob pressão.

Os Estados Unidos suspenderam a tarifa extra de 40% que incidia sobre parte importante das exportações brasileiras, especialmente produtos do agronegócio como café, carne bovina e frutas. A medida foi formalizada por ordem executiva da Casa Branca, divulgada na quinta-feira (20), e tem efeito retroativo para mercadorias desembarcadas em solo americano a partir de 13 de novembro de 2025.

A decisão atinge mais de 200 itens agrícolas e alimentícios brasileiros que haviam sido incluídos no chamado “tarifaço” imposto neste ano, e que vinha elevando significativamente o custo de acesso desses produtos ao mercado dos EUA. O alívio foi anunciado após uma rodada de negociações entre os dois governos e é tratado como um gesto para reduzir a pressão dos preços de alimentos para o consumidor americano.

O que muda para o Brasil

Entre os produtos beneficiados pela suspensão da tarifa adicional estão café (em grão, torrado e derivados), carne bovina em várias categorias, frutas frescas e processadas — como banana, laranja, abacaxi, manga e açaí —, cacau e derivados, especiarias (como pimenta, canela e noz-moscada), castanhas, sementes, sucos e polpas de frutas e alguns fertilizantes. Esses itens voltam a ser taxados pelas alíquotas regulares praticadas antes da sobretaxa de 40%.

A medida é especialmente sensível para o café e a carne bovina, já que os Estados Unidos são um dos principais destinos das exportações brasileiras desses produtos. Após a imposição da sobretaxa, embarques de café ao mercado americano chegaram a recuar de forma expressiva, reduzindo a participação do Brasil nas prateleiras dos EUA. Agora, a expectativa é de recuperação gradual de espaço e competitividade.

Tarifaço continua para produtos industrializados

Apesar do alívio para o agronegócio, a indústria brasileira continua sob impacto das tarifas elevadas. Máquinas, motores, calçados, móveis, café solúvel, pescados e mel seguem submetidos à alíquota adicional de 40%, o que mantém a pressão sobre segmentos manufatureiros que exportam para os Estados Unidos.

Esse conjunto de tarifas faz parte de um pacote mais amplo adotado pelo governo Trump em 2025, dentro de uma estratégia de “emergência comercial” voltada a rever saldos de balança e renegociar acordos com diversos parceiros, entre eles o Brasil.

Diplomacia e política por trás da decisão

No texto da nova ordem executiva, o presidente Donald Trump atribui a revisão das tarifas a “progresso inicial” nas negociações com o governo brasileiro. Ele cita uma conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 6 de outubro, na qual ambos concordaram em abrir uma rodada de diálogo para tratar do tarifaço e de seus impactos.

Além da pressão diplomática de Brasília, a Casa Branca levou em conta pareceres de suas próprias agências, que apontaram a necessidade de rever a medida diante da alta de preços de alimentos nos EUA. Produtos como café, carnes e frutas brasileiras são considerados relevantes para a contenção da inflação na cesta de consumo das famílias americanas.

Do lado brasileiro, governo e setor produtivo celebraram a decisão como uma vitória do diálogo. Representantes do agronegócio destacam que a retirada da sobretaxa devolve competitividade a cadeias como café, carne bovina e frutas, enquanto entidades industriais cobram que as negociações avancem agora sobre os bens manufaturados que seguiram com taxa de 40%.

Próximos passos

Com a suspensão parcial das tarifas, exportadores brasileiros se preparam para retomar contratos, renegociar preços e recuperar mercados perdidos ao longo dos meses em que o tarifaço esteve em vigor. Ao mesmo tempo, o governo Lula indica que continuará pressionando Washington para estender o alívio às mercadorias industrializadas, buscando um acordo mais amplo que contemple toda a pauta de exportações brasileiras.

Enquanto isso, importadores americanos que já haviam pago a tarifa extra poderão pedir reembolso, conforme prevê o texto da Casa Branca. O processo será conduzido pelos órgãos de alfândega dos EUA, seguindo a legislação local.

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