

Em Mato Grosso os agricultores seguem insatisfeitos com a decisão do governador Mauro Mendes de estender a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) sobre o milho. Considerando o atual valor da Unidade Padrão Fiscal (UPF) no estado, que é de R$ 138,99, o produtor terá que recolher cerca de R$ 0,50 a cada saca do grão. Se engana quem pensa que isso é pouco.
Na última safra, por exemplo, a produtividade média dos milharais cultivados no estado ficou em 99,6 sacas por hectare. Caso a cobrança do Fethab já fosse feita naquela época (e levando em conta o atual valor da UPF), o custo da “contribuição” seria de R$ 49,80 por hectare. Numa comparação simples, este valor representa metade do que geralmente é gasto com a compra de inseticidas para proteger a lavoura do ataque de pragas.
Segundo a Aprosoja-MT, a cobrança vai aumentar o prejuízo de quem cultiva o cereal e inviabilizar o investimento no milho. Diante deste cenário, o presidente da entidade – Antônio Galvan – tem sugerido que os produtores não plantem milho em 2020. “Você cobrar Fethab do milho, que safra após safra só traz prejuízo para o agricultor, isso é sacanagem! Então, por isso a gente lançou ‘safra 2020 zero de milho no Mato Grosso”, enfatiza.
O assunto foi um dos destaques do Mercado & Companhia nesta quarta-feira, dia 30, que também contou com a análise de Glauber Silveira, que é agricultor e vice-presidente da Abramilho. Na avaliação dele, o maior impacto do aumento da carga tributária sobre o milho será sentido pelos pequenos e médios produtores, que encontrarão mais um obstáculo para permanecer na atividade.
Fonte: Canal Rural