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Gestante, douradense ‘casou’ sonho de ser mãe com o da faixa preta no kickboxing

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29/07/2021
Redação

A realização de um grande objetivo no kickboxing aconteceu simultaneamente ao sonho de ser mãe para Cristiane Ávila, 33. Ela passou na graduação da faixa preta no esporte, no início de julho, quando já entrava no terceiro mês de gestação.

A professora da modalidade, que também leciona Biologia, conta que teve receio quando descobriu sobre a gravidez, já que o exame para mudança de faixa estava agendado, no entanto, diante do apoio obtido de esportistas e “alvará” do médico, foi em busca de sua meta.

“Eu descobri que estava gestante, 12 dias antes do exame e pensei: e agora? Tive medo de não poder ir em busca da minha meta ou não conseguir alcançar a faixa preta, mas conversei com meu médico que me instruiu e permitiu que eu fizesse a graduação e também com representantes da Confederação de Kickboxing de Mato Grosso do Sul e nacional que também me sinalizaram positivamente”, disse.

Com uma rotina intensa, Cristiane cita que tem diminuído alguns compromissos, mas pretende treinar até “onde aguentar”. A orientação médica conforme ela, é para que evite excessos e movimentos de alto impacto atualmente.

Logo às 6h, ela inicia as aulas de kickboxing, com duração até às 11h. No período vespertino, ela leciona Biologia para alunos da rede pública. Após às 17h30, a dedicação é para o treino e mais aulas até às 20h.

Diante do atual momento, ela diz se sentir “realizada”, mas relembra que foi necessário bastante dedicação.

A descoberta do kickboxing veio em 2013, quando a irmã de Cristiane começou a fazer musculação e recomendou as aulas.

“Ela sabia que eu estava parada nos esportes, mas que eu gosto, então me deu a dica”, aponta ao recordar que no período escolar jogava handebol e futsal.

Após participar da aula experimental da arte marcial, a jovem não parou mais e relembra que “queria até ter conhecido o kickboxing antes”.

Desde então, Cristiane que na época fazia mestrado em Biologia, se desdobra para conciliar estudo e esporte.

Sempre buscando evoluir, ela alcançou a faixa laranja em 2014, a faixa azul em 2015 e em 2016 surgiu a oportunidade de dar aulas do esporte.

“Não era algo que eu almejava, mas pensei que poderia tentar, e desde então, eu amei a experiência”, destaca.

No ano de 2017, a jovem alcançou a faixa marrom. Posteriormente, precisou dar uma pausa nas aulas por um ano, quando ela deu continuidade aos estudos em Portugal, porém, ela treinou boxe nesse período.

Ao retornar para o Brasil, em 2018, a professora almejava já buscar a faixa preta e para isso, se dedicou mais um ano aos treinos.

Em 2019, a graduação para ela foi adiada por conta de um procedimento cirúrgico e posteriormente por mais um período devido a pandemia do coronavírus.

Para ela, estar realizando dois sonhos juntos mostra que as mulheres não precisam se limitar seja quais forem suas metas de vida. Ela cita que muitos ainda veem as lutas marciais como um esporte masculino, no entanto, esse preconceito vem se desfazendo.

“Muitos ainda tem essa visão, mas não podemos deixar isso seguir. Como mulheres também precisamos nos colocar, se for nossa meta, correr atrás. Hoje 70% dos alunos da academia que trabalho é de público feminino,” aponta ao destacar que o esporte vai além de beneficiar a estética e traz benefícios a saúde e ao emocional.

Sobre o auge da graduação, ela aponta “ não é o fim, é começo” e fala em metas futuras como um projeto social.

“Penso que para mim deve ser o começo, pois, preciso diante disso, tenho ainda mais responsabilidade de levar o esporte para as pessoas. Meu próximo projeto será levar o kickboxing para alunos carentes, é um sonho pro futuro”, destaca.

Gizele Almeida
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