Luto

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08/06/2019
Redação

Por: Kerollay Costa
Professora Arte-Educadora e Atriz pela Universidade Federal da Grande Dourados,
atuante nas áreas da Educação em Instituições de Ensino e Extra Curriculares.

 


Entre mãos geladas com vento cortante pela manhã, entre bom dias engessados pela correria “Você ficou sabendo?”. Tomo-me pela mão como quem precisa adiantar os serviços, para finalizar o dia, entre um gole de café e uma caneta na mão “Você conhecia elas?”.
Tomo meu café, sirvo outro, ajeito algumas notas fiscais, resolvo algumas pendências, recebo um telefonema “Além das duas meninas, você viu que faleceu pai de fulano?”. Continuo os afazeres, atendo um cliente, falo com outro, com pensamento no foco devido, de repente:
“Mas afinal elas estavam dirigindo certo, ou estavam bêbadas?”, “Acabavam de entregar o TCC” grita outro.
Passa algumas horas, pago as contas, sento pra almoçar com a família, imagens “Olha como ficou o carro”, mensagens “Fulano está abatido, me fez lembrar minha vó”.
A dor ataca o peito, retorce num sentimento de falso alento. Me faz repensar no quanto a vida é frágil, no quanto ela é um sopro, no quanto precisamos de afeto, de abraço.
Na volta para cada casa, para cada família, na cidade pequena, nas vésperas de quadrilha enquanto arrumam seus filhos, enquanto cuidam de seus destinos, e ao deitar a cabeça em seus travesseiros, sentirão a dor de uma mãe com vazio, a dor de um caminho no momento sem destino, mas acharão conforto no ninho de seus carinhos, saberão dar valor ao que se tem nos braços, no colo, no abraço, e dormirão…
“Segura teu filho no colo, sorria e abrace teus pais enquanto estão aqui, que a vida é trem bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir.”