Acidente aconteceu há uma semana, na BR-262, quando Marcelo voltava de Corumbá para Campo Grande.
Marcelo tem 36 anos de vida e 9 dias de renascimento. O terço quebrado que leva nas mãos e o joelho com pinos após cirurgia ficaram do acidente gravíssimo sofrido no dia 19 de junho, na BR-262, quando voltava de Corumbá para Campo Grande. Hoje, ao olhar o carro destruído nas fotografias, ele não cansa de responder como sobreviveu.
Com uma família que sempre foi unida e o desejo incessante de ver os dois filhos crescerem, a história de vida de Marcelo passou como um filme em sua cabeça enquanto tentava recuperar o controle da direção no KM 571 da BR-262, a poucos quilômetros de Miranda.
O trecho da estrada foi recapeado há poucos dias e o desnível no limite entre a pista e o acostamento pode ter ocasionado o acidente, suspeita Marcelo. “Eu senti quando minha roda traseira caiu nesse desnível, é como se houvesse um degrau entre a pista e o acostamento. Nesse momento, tudo aconteceu. Perdi a direção do carro e bati”, conta Marcelo Couto Paes, de 36 anos, representante comercial.
Os segundos que antecedem a batida em três árvores após cair numa ribanceira são lembrados com detalhes pelo representante. “Eu lembro muito bem de três tentativas antes de pensar que eu iria morrer. A primeira foi tentar recuperar a direção quando vi que meu carro estava indo de um lado para o outro. Quando vi que não conseguiria, tentei frear, mas não adiantou. Em seguida olhei para o meu terço e perguntei por que tudo aquilo estava acontecendo comigo e bati”, descreve.
O que ele se lembra, passado isso, era de olhar para o lado e se dar conta da destruição. “Foram poucos segundos para pensar direito. Mas quando olhei vi o carro todo destruído, atrás de mim, uma árvore que por pouco não atingiu minha cabeça. À minha frente, o volante, que pouco não atingiu o meu peito. Fiquei em um espaço minúsculo, que parecia sob medida para que nada me atingisse”, conta.
A descrição de Marcelo parece com que a gente vê nos filmes, mas não acredita o quão surreal pode ser vivê-la. “Sabe aquelas cenas de filme em que as coisas passam câmera lenta? Pois é, contando parece que tudo isso durou minutos, mas foram pouquíssimos segundos. Hoje, após mais de uma semana, eu consigo detalhar porque refiz cada instante na minha cabeça”.
Representante de medicamentos de uma indústria conhecida no mundo, Marcelo viaja toda semana até o interior para falar dos produtos a médicos, especialistas e farmácias. O trajeto que costuma fazer é para Coxim, Corumbá e Três Lagoas. Em nove anos de emprego, nunca sofreu um acidente na estrada. “Sempre fui muito prudente e pensei na minha família na hora de pegar a estrada. A representação é uma profissão que eu amo, então nunca tive pressa de chegar a algum lugar porque estava feliz com o meu trabalho. Por isso, a última coisa que eu imaginava era sofrer um acidente de carro”.








