Morador acorda com enxurrada de panfletos exigindo que ele deixe bairro

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26/03/2019
Redação
Na avenida Tiradentes, panfletos foram jogados em extensão de duas quadras (Foto: Marina Pacheco)
Na avenida Tiradentes, panfletos foram jogados em extensão de duas quadras (Foto: Marina Pacheco)

Ex-policial civil, morador de uma casa na avenida Tiradentes, em Campo Grande, foi surpreendido esta manhã com uma “enxurrada” de panfletos espalhados em quatro quadras da rua, na Vila Taveirópolis. No texto, vizinhos listam processos contra ele e pedem que o homem mude de endereço.

Os panfletos estão espalhados em frente da casa do ex-policial e foram jogados por duas quadras da Tiradentes e outras duas na rua lateral, a Rua José Passarelli. O texto, assinado por “moradores locais”, é endereçado ao “morador indesejável da avenida Tiradentes, Edson Alves Martins”. Relata que ele seria criminoso, funcionário do vereador Wellington de Oliveira (PSDB) e que recentemente policiais armados estavam cercando a casa dele.

Texto convidando morador a sair da casa, na Vila Taveirópolis (Foto: Marina Pacheco)
Texto “convidando” morador a sair da casa, na Vila Taveirópolis (Foto: Marina Pacheco)

Uma lista de processos foi publicada, referente a acusações de extorsão e esbulho possessório em Campo Grande, estupro, improbidade administrativa, abuso de autoridade e tortura em Cassilândia. No fim, em letras garrafais, o pedido: “Faça-nos um favor, e mude-se, com sua família daqui”.

No dia 19 de maio de 2016, foi publicada a demissão de Edson Martins da função de agente da Polícia Civil, por infração à Lei Orgânica da PC (Lei complementar 114/2005).

Por telefone, Edson Martins conversou com a reportagem do Campo Grande News, disse que está sendo alvo de perseguição e irá registrar boletim de ocorrência para identificar autoria dos panfletos.

“Fui inocentado de todos esses processos, estou sendo vítima”, disse. Ele mora há um ano e meio no bairro e nega que tenha ocorrido o cerco policial descrito no panfleto.

 

 

 

 

 

 

 

Sobre os processos, consta no TJ-MS que ele foi absolvido da acusação de concussão (exigir vantagem indevida) e de roubo, conforme sentença absolutória de 30 de novembro de 2017. O processo de estupro de Cassilândia corre em segredo de Justiça e o outro que estaria em tramitação no município não foi encontrado no sistema judiciário.

O mais recente é do esbulho possessório, em tramitação desde o ano passado, pela 11ª Vara do Juizado Especial de Campo Grande, em que um vizinho de Edson Martins alega que o ex-policial civil invadiu três metros do terreno dele, que seria de 750 M².

Martins alega que a mulher dele comprou a área em leilão da Justiça do Trabalho e que pesquisou na prefeitura a real medida do terreno do vizinho, que seria de 690 M².

A reportagem tentou falar com os vizinhos do ex-policial. O indicado por Martins como autor da ação do esbulho não foi encontrado. No comércio dele, uma serralheria, a funcionária disse que os panfletos ja estavam jogados na rua quando abriu as portas, às 7h.

Ao Campo Grande News, o vereador Wellington de Oliveira, delegado da Polícia Civil, diz que Edson Martins apenas trabalhou na época da campanha política dele, e que não há qualquer vínculo empregatício.

O vereador disse que não há sentença condenatória contra o ex-policial e que o boletim de ocorrência é importante para identificar o autor das acusações. “Vivemos em estado democrático e direito, se quisesse fazer de forma correta, a pessoa deveria colocar o nome dela ali”.

Ex-policial retirou panfletos da casa e jogou em caçamba (Foto: Marina Pacheco)
Ex-policial retirou panfletos da casa e jogou em caçamba (Foto: Marina Pacheco)
Panfletos espalharam-se na Rua José Passarelli (Foto: Marina Pacheco)
Panfletos espalharam-se na Rua José Passarelli (Foto: Marina Pacheco)
      Reportagem: Silvia Frias e Danielle Valentim
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