Mortes em uma semana no RJ mostram intensificação de confrontos armados envolvendo polícia, tráfico e milícia

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26/09/2017
Redação

As mortes violentas ocorridas no Rio de Janeiro refletem o recrudescimento dos confrontos armados envolvendo polícia, tráfico e milícia no estado. Dados coletados pelo G1 ao longo de uma semana mostram a presença de armas de fogo na maior parte dos 84 casos levantados, além de número significativo de execuções e conflitos em áreas dominadas pelo crime organizado.

Um levantamento do G1 buscou registrar, no período de 21 a 27 de agosto, todas as mortes violentas ocorridas no Brasil. O trabalho é o ponto de partida de uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP) e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O projeto tem um nome: Monitor da Violência. Com uma série de iniciativas que envolvem reportagem e análise de dados, o projeto vai fazer o acompanhamento desses e de outros casos de violência no país.

No estado do RJ, as armas de fogo estão presentes em 95% dos casos em que a arma do crime foi identificada. É um percentual superior ao da média do país, registrada no mesmo levantamento, de 81%.

O crime organizado aparece como protagonista em pelo menos um terço dos casos, seja em homicídios ligados ao tráfico e a milícia ou em confrontos dos criminosos com a polícia. No período analisado, 34% dos homicídios têm características de execução. Há casos de homens encapuzados que passam atirando em pessoas na calçada, corpos carbonizados, abandonados na mala de um carro.

Uma das vítimas do tráfico é Gisele Rosana da Silva, de 24 anos. Na tarde de domingo, 27 de agosto, ela estava assistindo a um jogo de futebol com os amigos em uma praça na comunidade do Cesarão, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Traficantes da Favela do Rola passaram de carro atirando. Gisele levou um tiro no rosto e morreu. Outras quatros pessoas ficaram feridas.

Fábio Cavalcante e Sá: 100° policial militar assassinado em 2017 (Foto: Reprodução)Fábio Cavalcante e Sá: 100° policial militar assassinado em 2017 (Foto: Reprodução)

Fábio Cavalcante e Sá: 100° policial militar assassinado em 2017 (Foto: Reprodução)

Os policiais surgem como vítimas e como autores das mortes. Na semana pesquisada, três PMs foram mortos, incluindo o 100º policial militar assassinado neste ano, Fábio Cavalcante e Sá. É um símbolo do aumento dos assassinatos de PMs, que atingiu a maior média em 10 anos.

O sargento de 39 anos foi assassinado durante uma tentativa de assalto próxima ao Largo do Guedes, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele estava de folga e ia visitar os pais. Os criminosos perceberam que ele estava armado e dispararam mais de 30 vezes. Casado, com um filho de oito anos, ele levou 11 tiros. A principal testemunha foi o pai do policial.

“Eu perdi um filho que eu amava”, afirmou o pai de Fabio Sá. Ele é tachativo ao afirmar que se tratou de uma “execução”, e disse ainda que ouviu os criminosos dizerem: “Mata, mata! É PM”.

Os números da criminalidade no Rio de Janeiro (Foto: Infográfico/G1)Os números da criminalidade no Rio de Janeiro (Foto: Infográfico/G1)

Os números da criminalidade no Rio de Janeiro (Foto: Infográfico/G1)

No confronto com criminosos, os policiais são responsáveis também por parte das mortes violentas. Ao longo da semana, PMs mataram 14 pessoas, a maioria durante confrontos em áreas dominadas pelo crime organizado. Houve casos de reação a assaltos e também de uma equipe do Batalhão de Choque da PM que salvou por acaso cinco vítimas de uma mesma família que haviam sido sequestradas e levadas para o bairro do Santo Cristo, no Centro do Rio.

Os policiais estranharam o comportamento dos sequestradores, que pareciam nervosos em um carro estacionado na rua. Ao abordar os criminosos, trocaram tiros. Leonny Luis da Conceição Renones e José Roberto Marques Barbosa Junior morreram. As vítimas do sequestro, que eram de São Paulo, não foram atingidas.

 Niltair Silva dos Santos saiu de casa durante operação policial e morreu (Foto: Reprodução) Niltair Silva dos Santos saiu de casa durante operação policial e morreu (Foto: Reprodução)

Niltair Silva dos Santos saiu de casa durante operação policial e morreu (Foto: Reprodução)

Na lista das mortes cometidas por policiais, há também um inocente. Niltair Silva dos Santos, de 32 anos, saiu de casa sem saber que havia uma operação policial na comunidade Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio, onde morava. Ele era surdo-mudo. Os gritos dos vizinhos foram em vão. Morreu com um tiro de fuzil na barriga, em frente ao portão do vizinho. Segundo testemunhas, a bala partiu de PMs.

A irmã da vítima, Elaine Cristina Silva dos Santos diz que ele não foi socorrido por policiais militares, que ficaram discutindo após atirar contra o morador. Em protesto pela morte de Niltair, moradores da Vila Aliança atearam fogo em um ônibus no viaduto de Bangu.

Perfil das vítimas

Entre as vítimas, o predomínio é de homens (91%), pardos (62%), com até 29 anos (52%). No período analisado, ao menos 25% das mortes foram em áreas de favelas. A grande maioria dos homicídios ocorreu em bairros de baixa renda.

“Tão importante quanto o grande número de autos de resistência é essa desproporção de casos pela geografia”, afirma a socióloga Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança da Universidade Cândido Mendes e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “A desproporção entre as áreas mais abastadas da cidade e as áreas mais pobres, quando você olha caso a caso, você que isso é uma realidade que continua se reproduzindo. Isso para mim é muito chocante”, afirma.

A Baixada Fluminense é o maior exemplo dessa desproporção. Apesar de ter quase metade dos habitantes da capital, registrou praticamente o mesmo número de mortes violentas no período pesquisado. Foram 28 vítimas, contra 30 na cidade do Rio.

A área de Niterói e São Gonçalo aparece em terceiro em número de vítimas, com 12 mortos. Seguida pela Região Sul, com 7.

O número de casos fora da região metropolitana também surpreendeu a pesquisadora. “A Região dos Lagos, por exemplo, é relativamente pequena. Então, seis casos nesse período é um número alto”, diz Silvia Ramos.

 Fonte: G1

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