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No dia da Consciência Negra, Carrefour de Campo Grande tem protestos por morte violenta

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21/11/2020
Redação

Representantes de diferentes movimentos se reuniram, na tarde desta sexta-feira, 20 de novembro, no estacionamento do supermercado Carrefour, para protestar contra mais um ato racista que levou à morte de um homem negro.

Quase 24 horas depois do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, protestos irromperam em todo o país. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campo Grande.

Na Capital, o local escolhido foi o estacionamento do Shopping Campo Grande, em frente a única unidade da Rede na cidade.

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O protesto foi encabeçado pelo Grupo de Trabalhos e Estudos Zumbis (TEZ), pelo Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro MS e pelo Coletivo de Mulheres Negras Raimunda Luzia de Brito.

Os participantes manifestam a chegar por volta das 16h. Ao longo da manifestação, representantes gritavam o famoso bordão “Vidas Negras Importam” , que ficou conhecido nas redes sociais como o movimento Black Lives Matter , na tradução para o inglês.

Professores, artístias e ativistas permaneceram de pé, cada um na sua vez, falando sobre a importância de dar visibilidade para a causa negra. Cartazes foram mortos no chão para representar os corpos de pretos mortos mortos do racismo.

A professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e presidente do Grupo TEZ, Bartolina Catanante, disse, durante seu discurso, que, infelizmente, o racismo é uma realidade que já dura mais de 300 anos.

“Véspera do dia da consciência negra, dia em que deveríamos celebrar, e nós estamos aqui, mais um vez indignados com a violência contra vidas, vidas humanas, vidas negras. Todas elas têm um nome, uma família e uma história, não são quaisquer umas. “, frisou.

Para garantir que o protesto pacífico não saísse do controle, seguranças do Carrefour suportado vigiando e delimitando o perímetro permitido para as manifestações.

Clientes curiosos observavam um movimento durante o entra e sai da loja. Alguns pararam para acompanhar.

Entenda

O caso ocorrido na loja de Passo D’Areia no Rio Grande do Sul, nesta quinta, depois de uma confusão entre João Alberto de Freitas, 40 anos, e uma funcionária. 

Ele foi convidado a se retirar do interior da loja, pelos seguranças e, ao chegar no lado de fora da unidade, como agressões definidas.

O rapaz acabou sufocado até a morte, como divulgado o laudo do IML divulgado nesta sexta-feira.

Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, que também é policial militar, e Magno Braz Borges, de 30 anos, foram presos em flagrante.

Ainda de acordo com Bartolina, uma das organizadoras do ato, cases como esse trazem uma indignação muito grande. “Homens negros até 25 anos estão sendo dizimados”, comenta.

Ela afirma que há vários fatores que corroboram com isso entre a falta de capacitação das cortinas de vigilância, racismo estrutural e a posição a que os negros foram descobertos há mais de 200 anos. “A mídia, a imprensa, as lentes estão mais atentas a uma violência que agora é divulgada, mas não é de 2020. Vivemos isso em 2019, 2018, há uns 300 anos”, relata.

O movimento Vidas Negras Importam, depois da morte do americano George Floyd, por uma situação idêntica à de João Alberto, alçou o debate a patamares nunca antes vistos, e é considerado pela professora importantíssimo, mas não suficiente. “É nossa hora de tomar como rédeas da narrativa e que a violência hoje é mostrada, e mudar isso. Esse pensamento antirracista faz a gente sair de casa ”, relata a professora.

Segundo o advogado José Camargo, “no Brasil não se percebe o racismo. Quem vai para os Estados Unidos acha que lá é diferente, mas não é ”. Ele afirma que isso é inerente ao ser humano. “Quem fala que não é racista, é mentira. Temos que aprender a conviver com as diferenças e as diferenças ”.

Fonte: Correio do Estado
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