Produtor de Lucas do Rio Verde ganha dinheiro protegendo o solo

30 abril – 2019 | 7:07

O Mais Milho deste sábado, dia 27, é uma oportunidade para que produtores rurais de todo Brasil aprenderem a resolver uma equação que trará muitos benefícios, principalmente econômicos. Mas para descobrirem esta fórmula será preciso quebrar os mesmos tabus que José Eduardo Macedo Soares, o Zecão, vem desmistificando há quase quatro décadas.

O agricultor de Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, trocou a monocultura por um sistema de produção que, além de não enxergar talhões isoladamente, privilegia toda propriedade por meio da rotação de culturas e consórcios de plantas que buscam sempre a maior diversidade possível.

“A gente vê muito sistema baseado na monocultura. As pessoas acham que a única cultura viável é a soja. Mas para que continuamos produzindo soja precisamos rever tudo isto. Aí entra a diversidade de plantas, rotação de culturas, aporte de matéria orgânica, sistemas radiculares diferentes. É preciso transformar o solo num solo vivo”, ensina Zecão.

O produtor rural planta 50% da área com milho safrinha. Outros 25% são destinados ao cultivo de arroz, onde a cobertura será garantida com a plantação de bracária e crotalária.  O restante da área tem duas finalidades: produção de sementes e aplicação de consórcio que nesta safra foi realizado com nove variedades de plantas.

“O segredo é você não plantar milho em toda área, procurar plantar milho dentro da janela ideal e investir em nutrição. Uma boa adubação nitrogenada, fosforo potássio e micro- nutrientes. Para você ter uma ideia, a minha melhor área de soja foi onde plantei arroz ano passado”, revela o agricultor ressaltando a importância da rotação entre as culturas.

Resistência vencida aos poucos

José Eduardo conta que chegou ao Mato Grosso em 1981 a bordo de um fusca carregando um diploma, um violão e ideias consideradas fora da realidade. Aos poucos foi implementando as práticas nas quais acreditava, mas a resistência durou décadas.

“Eu fiz várias palestras para produtores. Na hora do cafezinho o cara chegava pra mim e dizia –  Pô Zecão muito legal o que você faz, mas pra mim não dá porque eu preciso ganhar dinheiro – quando descobriam que a minha propriedade apresentava a maior rentabilidade por área, mudavam a abordagem – Zecão, como eu faço com estas coberturas de solo?”, se diverte o produtor que vem produzindo uma média de 140 sacas de milho, enquanto a média do estado não passa de 110 sacas.

Crítica à monocultura

Zecão é um crítico do sistema de monocultura porque acredita que ela empobrece o solo ao longo dos anos, trazendo prejuízos ambientais e econômicos aos produtores rurais.

“No início, lá na década de 80, a gente plantava para colher 25 sacas de soja e isto era um fenômeno. Mato Grosso obteve um grande sucesso. Mas nos últimos 15 anos, mesmo com todo o aporte tecnológico de biotecnologia, com cultivares precoces, agricultura de precisão, a produtividade está estagnada. Isto é consequência da monocultura”, sentencia Zecão.

Segundo o produtor, quem trabalha com agricultura precisa pensar a médio e longo prazo. “Ah, mas eu vou deixar de plantar milho para plantar cobertura, crotalaria consorciada com braquiária, com milheto? Sim, pra você melhorar teu solo e eternizar sua área”

Convidados 

“Tem o produtor que é preocupado em fazer perfil de solo e correções, e tem outro que só quer melhorar a plantabilidade, infelizmente a maioria. São poucas pessoas como o Zecão, preocupadas com todo ambiente produtivo”, afirma Carlos Born, gerente comercial da Indutar. Outro convidado do mais Milho deste sábado é Naildo da Silva Lopes, conselheiro da Aprosoja MT.

“Quando a gente fala do Mais Milho não é só produzir mais, é mais tecnologia, mais manejo, mais produtividade, mais economicidade, mais lucratividade”, comenta Glauber Silveira.

João Bosco, Lucas do Rio Verde (MT)

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