Produtor prioriza soja e faz investimento em cobertura de solo contra seca

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16/11/2019
Canal Rural
Produtor de soja Fábio Caminha, de Maracajú (MS)

O atraso do plantio da soja tem preocupado os produtores de Mato Grosso do Sul que plantam milho na 2ª safra. A equipe do Projeto Soja Brasil visitou o principal município produtor de soja do estado, Maracaju, para mostrar as alternativas para diminuir o impacto da estiagem.

A conta está difícil de fechar: ciclo de 120 dias da soja, somado a 140 dias para o milho, com um detalhe! A janela ideal da 2ª safra começa em janeiro e vai até 20 de fevereiro. Depois desta data, as perdas de produtividade do milho podem chegar a duas sacas por hectare, por dia!

Depois de 10 de março o prejuízo sobe para três sacas ao dia. E, depois do dia 16 de março, o plantio nem compensa mais e a alternativa é partir para plantas de cobertura. Mas existem alternativas antes que a situação chegue a este ponto.

“Pode pensar em alguns híbridos que são mais flexíveis nas épocas de plantio. Híbridos de médio investimento se encaixam nisso, por exemplo. Quando se entra mais para 10 de março, a ureia perde a eficiência em função da cobertura, pois já não chove tanto. Então, às vezes, se pode tirar um pouco o pé dessa ureia. Essas são estratégias para não perder tanto milho”, diz o pesquisador da Fundação MS, André Lourenção.

O plantio da soja, em Mato Grosso do Sul, segue atrasado em relação à safra passada. A falta de chuvas dificultou os trabalhos.

Na prática, as diferenças entre áreas com e sem cobertura de solo são bem perceptíveis. Em Maracaju, por exemplo, nas áreas com cobertura de braquiária, não há muitas falhas entre as plantas de soja, que apresentam bom desenvolvimento em relação a data de plantio. Já no vizinho, uma área praticamente sem cobertura nenhuma, muitas falhas entre as plantas, que se desenvolvem lentamente, já que há compactação do solo.

 

Área rece, convertida, sem palhada e com falhas entre as fileiras de soja – Foto: Carolina Lorencetti

“Para aqueles produtores que têm um problema mais sério de compactação, irão precisar tirar o milho e fazer o cultivo apenas de braquiária. Nesse sistema, é preciso aumentar a densidade de semeadura do capim, para que se desenvolva mais rápido, com um sistema radicular mais volumoso”, afirma o pesquisador Douglas Castilho.

Na safra 2019/2020 a previsão é de um aumento de 6% na área plantada no estado, chegando a 3,1 milhões de hectares. A produção estimada é de 9,9 milhões de toneladas, 12,5% a mais que no ciclo anterior.

O produtor Fábio Caminha, também de Maracajú, plantou a maior parte da soja na área com cobertura de milho com braquiária e não está tão preocupado com o atraso nas chuvas e compactação de solo.

Produtor de soja Fábio Caminha, de Maracajú (MS)

“Isso, em um ano de seca, faz com que a soja consiga te dar um diferencial de até 6 sacas a mais em função da palhada. Embora possa perder um pouco da produtividade no milho, por aliá-lo a braquiária, criamos um colchão, uma poupança para soja, que é a nossa principal cultura”, diz Caminha.

Área de soja sobre palhada de milho e braquiária – Foto: Carolina Lorencetti

Em outra área, antes destinada a pecuária, a preocupação é pela falta de palhada. Mas o solo foi revolvido com uma correção mais profunda, em camadas de até 40 centímetros.

“Fazemos aplicação de calcário visando essas duas camadas, colocando um pouquinho mais desse corretivo para que tenha cálcio e magnésio nessa profundidade. Assim o sistema radicular das plantas poderão buscar os nutrientes mais profundamente. Consequentemente a planta com terá um conforto térmico maior, pois ela vai absorver melhor a água e os nutrientes”, afirma o engenheiro agrônomo, Alisson Moreira.

Área de pecuária revertida para plantio da soja – Foto: Carolina Lorencetti