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sexta-feira , 20 julho 2018
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Inaugurada em 2014, ponte que caiu em Jardim apresenta falhas na sua execução

A ponte de concreto sobre o rio dos Velhos construída pelo governo anterior, que desabou parcialmente em abril deste ano, em Jardim, durante forte temporal, foi mal dimensionada e a execução da base de sustentação (cortinas e alas) mostra a precariedade do projeto. A estrutura foi edificada pela mesma empresa que realizou a obra da ponte sobre o rio Santo Antônio, em Guia Lopes da Laguna, que caiu em janeiro de 2016.

Laudo técnico sobre as causas do sinistro, encomendado pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), aponta uma série de falhas no projeto de execução e conclui que a ponte não atendia os quesitos mínimos de segurança e estabilidade necessários. “O afundamento da terceira linha de pilares escancara a falta de confiabilidade na execução das fundações e fica evidenciado que o projeto não é adequado para o local”, cita o documento.

Pilares foram edificados sobre um maciço de terra arenosa.

Sustentada no barranco

A queda da estrutura isolou importante região de produção de grãos e de agricultura familiar de Jardim, causando prejuízos no escoamento da safra de soja e transporte de estudantes para as escolas rurais. Na época, a Agesul implantou um desvio alternativo, próximo à ponte interditada, na localidade conhecida como Água Amarela. O cascalhamento do trecho (alagado) garantiu o tráfego de caminhões e é a única alternativa de acesso até o momento.

Conforme o parecer elaborado pela Etelo Engenharia de Estruturas, a queda da ponte inaugurada em 2014 é consequência de uma série de erros primários. A base de sustentação do lado direito, por exemplo, com uma viga de concreto apoiada em blocos com estacas, foi construída sobre o barranco, distante da margem do rio. Foi constatado também que os pilares da mesma linha foram construídos sobre um maciço de terra arenosa que adentrava o rio.

“Houve um acentuado recalque nas fundações da terceira linha de pilares, ocasionando um afundamento da estrutura”, aponta o laudo assinado pelo engenheiro Carlos Liberato Portugal. “Face às características da vegetação nas margens, a proximidade dos pilares na calha do rio aumenta significativamente a possibilidade de obstrução do canal pelo acúmulo de vegetação que roda durante as enchentes”, concluiu o parecer.

Projeto não é adequado para o local, ocasionando acúmulo danoso de entulho entre os pilares.

Colapso progressivo

A mesma empresa de engenharia realizou a vistoria na ponte construída pelo governo anterior sobre o rio Santo Antônio, na MS-382, em Guia Lopes da Laguna, que desabou em janeiro de 2016. O laudo apresenta falhas críticas no projeto de execução, desde a ausência das armaduras de ligação das travessas (onde se apoiam as vigas da estrutura) com os pilares ao solapamento do aterro e consequente deslocamento da cortina (suporte de sustentação).

A Etelo concluiu que o fato de a ponte ser curta (72 metros) para a extensão do rio acelerou o solapamento do aterro que se apoia a cortina da margem direita, ocorrendo o “colapso progressivo” da estrutura. A firma construtora tentou reaterrar o local, mas a cortina já tinha sofrido um deslocamento horizontal. “Essas falhas tornaram a ponte instável para qualquer interocorrência, como movimentação de uma cortina ou de um pórtico de apoio”, apontou.

Sílvio Andrade – Subsecretaria de Comunicação (Subcom)

Fotos: Divulgação

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