Realizada em Ribas do Rio Pardo, revisão gratuita chegou a 52 municípios, reuniu estudantes de diferentes cidades; transmissão completa pode ser assistida on-line
De um lado, uma jovem de 16 anos que sonha em cursar Direito. De outro, uma mulher indígena que, depois de 16 anos longe da sala de aula, decidiu voltar a estudar e tentar uma vaga na universidade. Histórias diferentes que se encontraram na manhã de sábado (31), durante o Super Aulão Juventude Rumo ao Enem 2026.
Realizado gratuitamente pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), por meio da Subsecretaria de Juventude, em parceria com a SED (Secretaria de Estado de Educação), UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), TV Educativa e Prefeitura de Ribas do Rio Pardo, o aulão alcançou 6.438 jovens em Mato Grosso do Sul. Para quem não conseguiu acompanhar ao vivo ou deseja rever as orientações dos professores, a transmissão completa está disponível no YouTube da Educação MS, com acesso gratuito.

Na Escola Estadual Professora Maria Augusta Costa Ramos da Silva, em Ribas do Rio Pardo, os estudantes acompanharam presencialmente a revisão de Biologia e Redação. Outros jovens assistiram de casa ou se reuniram em escolas, aldeias indígenas, quilombos, assentamentos, comunidades rurais, ribeirinhas e periferias. Ao todo, foram 52 municípios alcançados, com 1.018 pessoas reunidas em 48 pontos coletivos registrados.
Sonho que não tem idade
Entre os participantes estava Lordione Pires Almeida. Indígena, ela ficou 16 anos longe da escola, mas decidiu retomar os estudos e agora se prepara para tentar o Enem. O interesse pela área de assistência social já aponta um caminho que deseja seguir, mas, naquele sábado, o mais importante era aproveitar cada orientação.

“Meu sonho é conseguir alguma coisa. Estou bem focada, quero alcançar uma nota muito boa e é uma oportunidade de estar aqui participando desse aulão. É muito bom ter uma pessoa para orientar a gente. Para alcançar um sonho, nós temos que nos esforçar”, acredita.
Aos poucos, a conversa revela uma certeza que vai além da prova, o tempo longe da sala de aula não apagou a vontade de aprender. Para Lordione, voltar aos estudos é também abrir uma nova possibilidade de futuro.
E, se a experiência de Lordione mostra que nunca é tarde para recomeçar, a de Bianca Leonardo representa os sonhos de quem estão dando os primeiros passos nessa caminhada. Aos 16 anos, estudante do segundo ano do ensino médio, ela pretende cursar Direito e já sabe o que deseja fazer com a profissão.

“Eu quero ajudar o próximo, ter uma participação na cidadania brasileira. Quero que as pessoas tenham assistência e quero trazer mais igualdade para o nosso país e para o nosso Estado”, afirma.
Bianca também saiu do aulão com dúvidas respondidas e um pouco menos de nervosismo para a prova. Ela conta que perguntou aos dois professores e gostou da disponibilidade deles em conversar com os estudantes. “O aulão foi muito bom para mim. Ele me ajudou muito. Os professores foram super atenciosos, eu perguntei para os dois e eles conseguiram me ajudar. Acredito que deu também para tirar um pouco do nervosismo. Eles se incluem na nossa comunidade de adolescentes, e eu achei muito bom”, relata.
Já Raquelli Silva Rocha, de 18 anos, está no terceiro ano do ensino médio e chegou a Ribas do Rio Pardo há apenas três meses, depois de morar em Sonora. Ela também pretende usar a nota do Enem para chegar à universidade. Entre as possibilidades, estão Medicina Veterinária e Agronomia.
A estudante conta que ficou sabendo do aulão pela escola e gostou de encontrar uma oportunidade de preparação gratuita. A redação, segundo ela, ainda é um desafio. Mas a vontade de aprender está presente. “Eu sou muito difícil em fazer redação, mas estou tentando”, diz.
Da sala de aula para todo o Estado
Enquanto os estudantes compartilhavam dúvidas e expectativas, os professores Edivaldo Araujo e Sandro Dornelles, da UFMS, conduziam a revisão de conteúdos importantes para o exame. Em Redação, Sandro trabalhou estrutura textual, conectivos e projeto de texto. Em Biologia, Edivaldo revisou temas recorrentes nas provas.

As perguntas enviadas pelos jovens também deram o tom da aula. Uma delas quis saber se filmes e séries podem ser utilizados como repertório sociocultural na redação do Enem. A resposta do professor foi um incentivo para que os candidatos valorizem também aquilo que consomem no cotidiano. Filmes, séries e documentários podem, sim, ser referências, desde que o estudante saiba contextualizar a obra e explicar sua relação com o tema proposto.
“Para usar um filme, você precisa explicar o que acontecia nele e mostrar a relação com o assunto da redação. Filmes, séries e documentários são repertórios bacanas. Às vezes, a gente ouve que não pode usar séries, mas vale olhar as redações nota mil e perceber como essas referências aparecem”, orientou Sandro.
Na área de Ciências da Natureza, que reúne Biologia, Física e Química, a pergunta foi sobre quais conteúdos de Biologia merecem atenção especial na preparação. O professor Edivaldo destacou dois campos de estudo: saúde pública e ecologia. Entre os assuntos que recomendou revisar estão níveis tróficos, relações ecológicas e ciclos do carbono e do hidrogênio.
A proposta foi aproximar os professores das dúvidas reais dos estudantes. Para isso, as perguntas foram encaminhadas por meio de um formulário acessado por QR Code. Ao todo, 59 questões chegaram aos docentes, além de 1.658 mensagens registradas no chat da transmissão.
Uma aula que chegou a diferentes territórios
A mobilização alcançou realidades muito diferentes. Em Aquidauana, estudantes da Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Professor Domingos Veríssimo Marcos Mihin acompanharam a transmissão, assim como jovens reunidos na Oca da Aldeia Babaçu, em Miranda. A aula também chegou ao CEPA Geraldo Afonso Garcia Ferreira, em Aquidauana, e ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã. Em Ponta Porã, cerca de 150 pessoas se reuniram no Centro de Convenções. Em Paranaíba, a Escola Estadual José Garcia Leal mobilizou alunos, professores e direção para acompanhar a programação.
Na abertura, o subsecretário de Políticas Públicas para Juventude, Jessé Cruz, fez questão de olhar para além dos conteúdos que seriam revisados naquela manhã. Ao cumprimentar os estudantes reunidos em Ribas do Rio Pardo e aqueles que acompanhavam de diferentes territórios, deixou uma mensagem sobre sonhos, conquistas e a maneira de lidar com os resultados.
“A vida é escada, não é elevador. E nós estamos subindo mais um degrau com esse aulão preparatório. Quando estamos diante de um sonho, de um objetivo, existem dois possíveis resultados, e precisamos entender que o resultado do Enem não define o valor de vocês”, disse.
Para Jessé, tão importante quanto estudar os conteúdos que podem cair na prova é compreender que a trajetória de cada jovem não se resume a uma nota. O subsecretário lembrou que a conquista merece ser celebrada, mas que um resultado diferente do esperado também não deve ser motivo para desistir.
“Vocês são amados, independentemente do resultado do Enem. Se forem bem, celebrem. Mas lembrem-se de que até a conquista de vocês pode servir a outras pessoas. E, se forem mal, isso não define o valor de vocês. Recalculem a rota, repensem as estratégias e se preparem para ir melhor na próxima”, incentivou.
A fala também foi um agradecimento aos professores, às lideranças comunitárias, indígenas e quilombolas, aos gestores municipais e às instituições que ajudaram a fazer a aula chegar a diferentes regiões do Estado. A proposta, segundo Jessé, é justamente construir oportunidades para que nenhuma juventude fique para trás.
Revisão continua disponível

Para quem participou e deseja rever algum conteúdo, ou para quem não conseguiu acompanhar ao vivo, a transmissão completa do Super Aulão Juventude Rumo ao Enem 2026 está disponível no YouTube da Educação MS.
Com 6.438 jovens alcançados em 52 municípios, a iniciativa deixa também um convite para que a preparação continue. Afinal, como lembrou o subsecretário, a vida é feita de degraus. E cada oportunidade de aprender pode ajudar a chegar um pouco mais perto do próximo sonho.
Assista à aula completa:
https://www.youtube.com/live/FAVsoR_gOfU?is=sytNASv-Rs_u0IwC
Paula Maciulevicius, Comunicação SEC
Fotos: Paula Maciulevicius/SEC
Foto: Paula Maciulevicius/SEC






