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quinta-feira, 21 maio 2026

Polícia

Deolane Bezerra é presa em operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC ligado a Marcola

Redação
21 maio – 2026 | 17:17

Ação do MP-SP e da Polícia Civil bloqueou mais de R$ 357 milhões. Advogada e influenciadora digital é suspeita de movimentar valores para a cúpula da facção por meio de transportadora fantasma.

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) em sua residência, localizada em Barueri (Grande SP). A prisão faz parte de uma ampla força-tarefa do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil.

A ação investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro operado para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Além de Deolane, a ofensiva tem como alvos Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção, e diversos familiares seus.

Batizada de Operação Vérnix, a investida cumpriu seis mandados de prisão preventiva e várias ordens de busca e apreensão. Para descapitalizar o grupo, a Justiça bloqueou R$ 357,5 milhões dos investigados e confiscou 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões.

A conexão com a transportadora do crime

Segundo os investigadores, o centro do esquema financeiro era uma empresa de fachada: a Lado a Lado Transportes (também chamada de Lopes Lemos Transportes), com sede em Presidente Venceslau (SP). O negócio era gerido diretamente pela alta cúpula da facção criminosa.

O dinheiro ilícito passava pelo caixa da transportadora e era repassado a contas de terceiros para dificultar o rastreio financeiro. De acordo com o inquérito, duas das contas utilizadas para essa pulverização de recursos estão em nome de Deolane Bezerra.

Outra peça central no esquema é Everton de Souza, vulgo “Player”. Preso nesta quinta-feira, ele é apontado como operador financeiro da organização. Mensagens interceptadas mostram “Player” indicando contas de Deolane para receber os repasses mensais da transportadora.

Retorno da Europa e o cerco internacional

A prisão de Deolane ocorreu um dia após seu retorno ao Brasil. A influenciadora passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter seu nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, desembarcando no país na quarta-feira (20).

Nas buscas feitas em sua mansão, os agentes também miraram o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, além de um contador ligado a ela. Ambos foram alvos de busca e apreensão.

Procurado pela reportagem, Luiz Imparato, advogado de Deolane, declarou que ainda está se “inteirando dos fatos”. A mesma justificativa foi dada por Bruno Ferullo, defensor de Marcola. As defesas dos demais investigados não foram localizadas.

Alvos da família de Marcola

A operação mirou diretamente os parentes do chefe do PCC. O irmão de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (Alejandro Camacho), que já está detido na Penitenciária Federal de Brasília junto com o líder criminoso, será notificado da nova prisão preventiva na cadeia.

A polícia também expediu mandados contra os sobrinhos do criminoso. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, suspeito de ser o destinatário do dinheiro lavado, é procurado e estaria escondido na Bolívia.

Outra sobrinha, Paloma Sanches Herbas Camacho, também teve prisão decretada. Chegou a ser divulgado que ela havia sido detida, mas a informação foi corrigida: Paloma continua foragida e, segundo a investigação, está em Madri, na Espanha.

Movimentações milionárias e técnica de ‘Smurfing’

A polícia cruzou dados e descobriu que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505,00 em sua conta física. Os depósitos eram fracionados, sempre abaixo de R$ 10 mil — técnica conhecida como “smurfing”, usada para não acionar os alertas de segurança do sistema bancário.

Além disso, empresas da influenciadora receberam quase 50 repasses que somam R$ 716 mil. O dinheiro foi enviado por uma suposta financiadora administrada por um morador da Bahia, cuja renda declarada beira um salário mínimo.

Não foram identificadas prestações de serviços advocatícios que justificassem as transferências. Diante das suspeitas de dissimulação de bens, a Justiça paulista ordenou o bloqueio isolado de R$ 27 milhões vinculados a Deolane, valor cuja origem não foi comprovada.

Como o esquema começou a ruir

A rede criminosa começou a ser mapeada em 2019, após a apreensão de bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos citavam uma “mulher da transportadora” que atuava nos interesses da facção.

As apurações revelaram que a mulher era Elidiane Saldanha Lopes Lemos, ex-sócia da transportadora de fachada e hoje foragida. A investigação avançou e chegou a Ciro Cesar Lemos, identificado como o operador central e homem de confiança de Marcola e Alejandro.

Foi no celular de Ciro, apreendido em 2021 durante a Operação Lado a Lado, que os investigadores encontraram imagens de depósitos direcionados a Deolane Bezerra e a Everton “Player”. Ciro e sua esposa também encontram-se foragidos.

Ao decretar as prisões, a Justiça destacou que os envolvidos possuem grau de sofisticação empresarial e atuavam de forma contínua, apresentando grave risco à ordem pública, com possibilidades reais de fuga internacional e ocultação de provas.

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